No último texto, admitimos que a esquerda não parece ter muita alternativa diante das polêmicas no Irã. Mas é bom vermos posições menos céticas por aí e mais preocupadas em encontrar saídas que consigam atacar diretamente o regime teocrático. O blog da organização neozelandesa, Socialist Aoetearoa, divulgou hoje uma notícia sobre o crescimento da esquerda universitária no Irã. O Partido Tudeh Iraniano (partido comunista iraniano organizado atualmente no exílio), por sua vez, lançou na internet uma declaração no último dia 21 se posicionando abertamente contra o regime dos aiatolás. E no último dia 22, fazendo um chamamento para um ato para o dia 26 na França, o Novo Partido Anti-capitalista lançou um ataque direto ao regime iraniano, qualificando-o como uma "ditadura" e posicionando-se em defesa "dos trabalhadores, dos jovens e das mulheres". Abaixo, fizemos uma tradução "macarrônica" desse último texto do NPA para os leitores do blog, interessados em saber mais sobre o tema.
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Com a população e os trabalhadores do Irã
Desde o dia 13 de junho, logo após a fraude na eleição presidencial, milhões de descendentes iranianos saíram às ruas gritando a palavra de ordem: "abaixo a ditadura".
A repressão feroz é responsável por dezenas, se não centenas de mortes. Os jovens, as mulheres, os moradores dos bairros populares que formam o grosso dos manifestantes se mantém unidos ao redor do movimento sindical.
O Sindicato dos Trabalhadores dos Ônibus declararam sua solidariedade ao afirmar que: "tanto o princípio da liberdade de organização e de eleição não são aplicados, todo discurso sobre a libertação social e os direitos dos trabalhadores não são apenas uma farsa". Os trabalhadores do Grupo Industrial Iran Khodro, principal construtora de automóveis do país (60.000 empregados assalariados), se engajou num movimento grevista acrescentando às reivindicações populares o aumento dos salários e o direito de greve.
Pelas liberdades democráticas e as reivindicações do mundo do trabalho
A aspiração da sociedade de erguer-se contra o opressivo punho de aço do regime dos mulás e de terminar com a repressão cotidiana contra a juventude e as mulheres que lutam por seus direitos, se somam cada vez mais às reivindicações dos próprios trabalhadores que, também no Irã, se recusam a pagar pela crise. A idéia de greve geral se dissemina, os ricos e gananciosos começam a temer o espectro de uma nova revolução.
A demagogia criminosa de Ahmadinejad e de seu tutor, o "guia supremo" Khamenei, que fingem representar os "subalternos" em oposição ao imperialismo das potências ocidentais, não passa de uma ilusão. Mesmo Moussavi, o "reformador", não é mais palatável. Ele foi o Primeiro Ministro da República Islâmica de 1981 a 1989, a época onde cerca de dezenas de milhares de opositores, em particular militantes operários e da esquerda, pelos direitos das mulheres e das minorias nacionais, foram massacrados pelos capangas do regime.
Diante das dificuldades econômicas crescentes, a corrupção e o nepotismo são cada vez mais insuportáveis, já que exacerbam a concorrência entre os clãs rivais do regime, configurando uma crise dentro do Estado iraniano. Os trabalhadores e o povo estão apenas aproveitando essa brecha. E uma eleição não democrática permite que se escape do controle do regime.
A luta deles é a nossa!
É das mulheres, dos trabalhadores e da juventude, de todos os manifestantes que desafiam a repressão e não hesitam em arriscar suas vidas, que merecem todo nosso apoio.
O 26 de junho, diante da organização da jornada internacional de solidariedade com os trabalhadores do Irã, as organizações sindicais francesas (CGT, CFDT, FO, CFTC, UNSA, Solidários) participarão de um encontro na embaixada iraniana em Paris (12:30h no horário francês), para exigir enfáticamente a libertação dos trabalhadores aprisionados por se manifestarem no Primeiro de Maio em Teerã.
O NPA, que naturalmente apóia essa manifestação, apela aos trabalhadores das empresas, cidades e bairros o máximo de iniciativas em solidariedade com a luta do povo iraniano, pela derrubada da ditadura, pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores.
22 de junho de 2009
1 comentários:
Saiu hoje um texto do filósofo Slavoj Zizek sobre o Irã que é sensacional e critica muito essa esquerda que defende Ahmadinejad. Vale a pena ser lido: http://bermudaradical.wordpress.com/2009/06/26/zizek-on-iran-time-for-a-drop-into-the-abyss/
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