sexta-feira, 29 de maio de 2009

Seis rapidinhas sobre a Zero Hora


É comum me perguntarem porque eu não leio a Zero Hora, então acho importante usar o espaço do blog para fazer essa resposta. Entretanto, como assinam o folhetim aqui em casa, resolvi lê-lo hoje para saber, afinal, o que está acontecendo no RS. O bom de ler o jornal é que é como acompanhar uma novela ruim...não importa quanto tempo você passou sem assistir, sempre que retoma você sabe exatamente quem são os mocinhos e quem são os bandidos.

Fiz algumas apreciações sobre as principais matérias e colunas do jornal nesse mesmo tom...de quem vê um capítulo de novela sem precisar acompanhá-la do início ao fim.



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1 – Jair Bolsonaro (PP, ex-PPB, ex-PDS, ex-ARENA), o deputado-paladino da direita hidrófoba brasileira, resolveu exercer seu senso de humor e colocou um cartaz na porta de seu gabinete. Nele estava escrito a seguinte mensagem, com o desenho de um cãozinho: “Desaparecidos do Araguaia, quem procura osso é cachorro.” Obviamente isso não é um atentado à democracia brasileira, ou aos direitos humanos. Para o folhetim, esse episódio foi apenas uma “provocação”, sendo que a chamada da notícia é “Cartaz irrita PC do B”.

2 – Na notícia “PSOL pede exibição de supostas provas”, o folhetim informa que o vereador Pedro Ruas e a deputada Luciana Genro estão sendo processados por calúnia e difamação por Aod Cunha (ex-secretário da Fazenda do governo Yeda) e o empresário Humberto Busnello (empreiteiro dono da empresa Toniolo, representante da FIERGS). Ambos alegam que não estiveram envolvidos no escândalo de caixa 2 na campanha de Yeda Crusius. Isso significa que o PSOL terá acesso à provas que estão sendo analisadas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo Tribunal Regional Federal, ou seja, isso pode mudar bastante os rumos políticos do estado nas próximas semanas. Entretanto, a nota é breve, pois afinal, hoje é sexta-feira e o supermercado Big comprou 2/3 da página de política para anunciar suas ofertas.

3 – Na página da comentarista de política, Rosane de Oliveira, ela estampa no centro da página uma pequena manchete chamada “Tempo de calmaria”. Trata-se de um breve texto falando de como o perfil conciliador do atual comandante da Brigada Militar, João Carlos Trindade, que substituiu, em dezembro de 2008, o famigerado “Coronel Mendes”. Ao falar dos elogios que até mesmo a bancada de oposição faz ao atual comandante, a comentarista “se esquece” das ações intempestivas da Brigada Militar em acampamentos do Movimento Sem Terra que ocorreram ainda esse ano, a mando do MP que pretendia fechar as escolas do movimento. Certamente o MST não concorda com a perspectiva da colunista...

4 – Um verdadeiro show de crack. A RBS, mais do que nunca pensando em “unir” o Rio Grande do Sul, lançou a campanha “crack nem pensar”. Com fotos coloridas de “celebridades políticas sorridentes” (incluindo o prefeito José Fogaça, o vereador Sebastião Melo e a secretária estadual de educação, Mariza Abreu). Não querendo entrar no mérito da campanha contra o crack em Porto Alegre estar atrasada uns 5 anos no mínimo, mas vale a pena destacar a declaração de Mariza Abreu sobre o problema: “Um professor da Universidade de Caxias do Sul mostrou que, quando a família se desestrutura, a escola é um espaço de resistência. Mas os próprios professores precisam ser apoiados, porque eles também não sabem como tratar.” E todo mundo sabe como esse governo tem apoiado os professores em inúmeras questões! Aguardem as cenas dos próximos capítulos: Mariza Abreu aprovando um projeto em que os professores que souberem tratar alunos com problemas de dependência química serão remunerados.

5 – No editorial do folhetim, uma grande omissão. Preocupadíssimo com as “deficiências do magistério”, o texto revela preocupação com os dados do MEC que apontam que 1 em cada 3 professores não possuem formação superior. Num texto de 4 parágrafos sobre o problema, não há sequer UMA frase sobre a política educacional do governo Yeda de priorizar os contratos temporários no magistério ao invés de abrir concursos e aumentar salários. A desvalorização da profissão de professor surge como algo sem responsabilidade definida, visando proteger, é claro, um dos piores governos na área da educação que o estado do Rio Grande do Sul já teve.

6 – Para terminar e desconstrair, na parte de esportes do panfleto, digo, folhetim, o colunista Wianey Carlet também decidiu dar o seu pitaco sobre o problema do crack. Num pequeno parágrafo com o subtítulo “Omissão mata”, o comentarista de jogos da dupla Gre-Nal desabafa: “Onde estão as campanhas preventivas?” Ora, logo estarão aí! Encabeçadas por uma imprensa cheia de responsabilidade social! E que oportunamente lembra da tragédia da dependência química somente quando o governo Yeda vem sendo atacado por todos os lados.

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