
Sim, fevereiro foi um mês parado para nós. Feriados, carnavais, férias, dissertações, mudanças e "quetais". Há muito o que retomar, especialmente sobre o Rio Grande do Sul, sobre os escândalos de corrupção que cercam o (des)governo Yeda Crusius, as denúncias do PSOL e a perseguição política que o MST vem sofrendo.
Por ora, no entanto, não dá para fazer grandes recomendações e resenhas. Mas, para "ignorarmos a gentalha e seguirmos nosso curso", deixamos algumas indicações em outros endereços da internet, para que o nosso público leitor não pense que abandonamos o blog às moscas.
1) "From opportunity to imperative: the history of the market" (ou "Da oportunidade ao imperativo: a história do mercado"): Artigo da cientista política e historiadora marxista, Ellen Wood, publicado na Monthly Review de julho-agosto de 1994. Sim, é aparentemente desatualizado, mas é um ótimo ensaio para quem se interessa pela história do mercado. Partindo do paradoxo do livre-mercado como um "fatalismo histórico", Ellen Wood mostra como um lugar social tornou-se um mecanismo imperativo na sociedade atual. Para quem se interessar, vale ler também o livrinho "A origem do capitalismo", da mesma autora, publicado pela Editora Zahar. Detalhe: o artigo está em inglês.
2) O documentário "O mundo segundo a monsanto" (Le monde selon Monsanto) finalmente está no YouTube, dividido em 12 partes e legendado em português. É um excelente vídeo sobre a organização Monsanto, líder no mercado mundial de sementes e também produtora de diversos produtos químicos, incluindo aí desfoliantes usados em operações militares dos Estados Unidos no sudeste asiático. Uma dica recomendadíssima, especialmente para quem viu - e gostou - do documentário "The Corporation".
3) O filme "A questão humana" tá circulando pela internet e fica a dica para assistirmos o filme (até porque, ele não foi visto ainda por nós). A temática não é muito diferente de filmes como o espanhol "O que você faria", o japonês "Battle Royale" e o francês "O corte", onde o tema central é a desumanidade dos processos de seleção do mundo capitalista contemporâneo. Uma desumanidade supostamente neutra e acéptica, mas com muitas similiaridades ao darwinismo social.
4) Para quem curte MPB, sugestão antiga, mas não muito conhecida. O LP "O poeta do povo", de João do Vale, é uma das maravilhas que a internet propicia para muita gente que curte o gênero. João do Vale, junto com Zé Kéti e Nara Leão fez parte do famoso Show Opinião, realizado em dezembro de 1964 e brutalmente reprimido pela ditadura e por grupos anti-comunistas. João do Vale provavelmente é o mais desconhecido dentre os três intérpretes, mas suas composições em "O poeta do povo" mostram que seu talento e seu engajamento geraram músicas capazes de questionar a própria ditadura. Além disso, possuem uma atualidade impressionante.
5) O colega Lauro Allan nos enviou o obituário do historiador marxista britânico Victor Kiernan, que pode ser visto no site do "Sin Permiso" (em espanhol). Ele não é um historiador muito conhecido no Brasil, sendo que tem apenas uma obra editada em terras tupiniquins ("Shakespeare: poeta e cidadão", editada pela UNESP). Uma pena que não se conheça mais de um historiador como Kiernan, cujos principais trabalhos são caracterizados por uma forte crítica ao eurocentrismo na historiografia inglesa. Para quem entende inglês, tem um obituário também feito pelo historiador Eric Hobsbawm para o seu colega de militância e de profissão.
Por hoje é só, pessoal. E em breve teremos mais notícias do front do pampa, onde segue a "guerra civil" que tanto preocupa a mídia corporativa que blinda a nossa (des)governadora na maior cara de pau.
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